Hoje em dia, a maioria das pessoas já ouviu falar ou conhece alguém que desenvolveu a diabetes tipo 2, o tipo que acomete 90% dos pacientes com esse problema. Isso ocorre devido ao aumento do sedentarismo e da deterioração dos hábitos alimentares, principalmente nos grandes centros urbanos.

Contudo, o que muita gente desconhece é que existe uma condição anterior à doença — que tem um período de desenvolvimento de 10 anos — que precisa ser investigada e tratada antes de evoluir. Esse quadro é chamado de pré-diabetes. 

Ficou curioso e quer saber mais sobre o assunto? Então, continue a leitura e veja o que é a pré-diabetes, como ela se desenvolve e quais os tipos de tratamento disponíveis. 

Como se caracteriza a pré-diabetes?  

Antes de explicarmos a definição de pré-diabetes, é preciso elucidar o que acontece com o nosso corpo quando desenvolvemos a diabetes tipo 2. Entenda melhor abaixo. 

Diabetes tipo 2

Essa modalidade pode ocorrer de duas formas: quando o pâncreas não consegue produzir insulina suficiente para que o açúcar não se acumule na corrente sanguínea ou quando nosso organismo é incapaz de aproveitar a insulina produzida da maneira adequada — condição chamada de “resistência à Insulina”. 

Uma pesquisa feita pelo Ministério da Saúde, juntamente com o IBGE, divulgou dados alarmantes: cerca de 6% da população adulta brasileira sofre de diabetes, sendo que, no ano de 2015, 130.712 mortes foram contabilizadas em decorrência de complicações da doença. 

Isso ocorre porque, ainda segundo o estudo, pelo menos metade desses 6% desconhece o próprio diagnóstico, o que propicia a aparição das temíveis e potencialmente fatais complicações ditas acima. É nesse cenário que entra a importância da detecção e do tratamento da pré-diabetes. 

Precedente da diabetes

A pré-diabetes é caracterizada pela presença elevada de açúcar no sangue, porém não o suficiente para o diagnóstico da diabetes tipo 2. O organismo está se esforçando para fazer um bom aproveitamento da glicose e impedir que ela se acumule na corrente sanguínea, mas está com cada vez mais dificuldades para vencer essa “batalha”. 

Mas tenha calma. Ainda não é preciso entrar em pânico, pois, nesse estágio, é possível reverter o quadro e evitar que a pré-diabetes progrida para a doença de fato. 

Quais são os fatores de risco?

Como grande parte da glicose presente em nosso corpo vem da alimentação, um dos maiores fatores de risco para o desenvolvimento da pré-diabetes é a ingestão exagerada de alimentos ricos em açúcar (ou que se transformam na substância em nosso corpo). Esse é o caso dos carboidratos. 

Se a pessoa não pratica nenhuma atividade física, as consequências naturais desse péssimo hábito alimentar são: o ganho de massa e o aumento da circunferência abdominal — estado que serve de grande alerta para a presença do antecedente da diabetes. 

A doença também pode ser hereditária e ter a ver com o histórico familiar. No entanto, sabe-se que a obesidade tem maior recorrência em indivíduos que nasceram em famílias com hábitos alimentares ruins. Por esse motivo, fica difícil detectar se a ocorrência de diabetes ou pré-diabetes no núcleo familiar deriva de práticas nocivas ou propensão genética. 

Além desses fatores, existem outras condições que podem desencadear a doença, como:

  • síndrome do ovário policístico;
  • tabagismo;
  • hipertensão;
  • histórico de diabetes gestacional;
  • colesterol elevado.

Como é feito o diagnóstico?

Os procedimentos laboratoriais utilizados na detecção da pré-diabetes são os mesmos da diabetes. O que diferencia os dois é apenas o valor de referência. 

O exame de sangue chamado “Glicemia de Jejum” é o método mais adotado para o diagnóstico. Ele dosa a quantidade de glicose no sangue depois que o paciente ficou em jejum por, pelo menos, 8 horas. 

Existe, ainda, a Hemoglobina Glicada, procedimento que avalia o nível de glicose existente dentro da hemoglobina, e o TTOG (teste de tolerância oral à glicose), que é mais raramente utilizado e serve para verificar a maneira como o organismo processa a substância logo depois de sua ingestão. 

Contudo, é preciso salientar que os resultados dos exames devem ser avaliados por um médico e correlacionados à anamnese do paciente. 

Quais são os sintomas? 

Infelizmente, não há sintomas que alertam para a presença da pré-diabetes. No entanto, existe uma alteração no corpo que é comum em pessoas que estão começando a desenvolver resistência à insulina: a acantose nigricans.

Ela é caracterizada por manchas escurecidas e com texturas aveludadas nas dobras da pele, geralmente no pescoço, na axila e nas virilhas. Contudo, a aparição isolada dessas manchas é apenas um indicativo, sendo necessária a realização periódica dos exames acima mencionados para que o diagnóstico possa ser feito preventivamente. 

Qual a forma de tratamento?

Em geral, o tratamento da pré-diabetes consiste somente na adoção de uma série de medidas para prevenir a diabetes. Em indivíduos obesos, por exemplo, o médico responsável (ou nutricionista) indicará dietas para a perda de peso e o alcance de um IMC (Índice de Massa Corporal) de, pelo menos, 25 kg/m2 — que é o considerado normal para pessoas saudáveis. 

O profissional da saúde também recomendará a prática regular de atividades físicas. O ideal é começar com exercícios aeróbicos, de 30 minutos, entre 3 e 5 vezes por semana.

Vale frisar que consultar um cardiologista antes do início das atividades é extremamente prudente, uma vez que a pré-diabetes pode estar associada a doenças cardiovasculares. Além disso, os indivíduos tabagistas obviamente receberão a indicação de largar o cigarro e adotar um estilo de vida mais saudável

Medicamentos 

O tratamento medicamentoso só é recomendado para o paciente que tem uma chance muito de alta de desenvolver a diabetes (englobando praticamente todos os fatores de risco) ou é incapaz de deixar de lado os hábitos nocivos desencadeadores da doença. 

Os remédios costumam ser receitados para os indivíduos com menos de 60 anos de idade e portadores de obesidade grau II (IMC acima de 35 kg/m2). O Cloridrato de Metformina é o antidiabético oral mais utilizado em casos como esse. 

E então? Conseguiu sanar todas as duas dúvidas sobre a pré-diabetes? Se quiser receber mais conteúdos como este e ficar por dentro de tudo o que envolve o assunto, assine nossa newsletter agora mesmo!